Saúde Preventiva PetAtualizado em 2026-09-158 min de leitura

Calendário de vacinas do cão e do gato: idade por idade

Camila Ferreira
Camila Ferreira escreve sobre comportamento animal e cuidados preventivos pet há 12 anos. Tutora de Mel, Bisteca e Tom…
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Veja o que conferir antes de cada dose, a tabela completa de vacinas por semana de vida do filhote e os 6 sinais…
Resposta rapida: Antes de vacinar, confira cinco pontos: idade em semanas, doses anteriores, vermifugação em dia, animal sem febre e comendo normal, e carteirinha com lote e assinatura. Filhote faz série de três doses de polivalente entre 6 e 16 semanas, mais antirrábica a partir de 12 semanas. Quem define o protocolo do seu animal é o veterinário que o examina.↗ Compartilhar no X

Antes de vacinar, confira cinco coisas: a idade exata do animal em semanas, se ele já tomou alguma dose antes (e quantas), se está vermifugado, se está sem febre e comendo normal, e se a carteirinha tem o lote e a assinatura do veterinário na dose anterior. Se qualquer um desses cinco pontos estiver em aberto, a vacina pode não pegar direito ou ter que ser repetida. É um checklist de dois minutos que evita perder dose, dinheiro e tempo.

Abaixo está o que conferir em cada etapa, por idade, para cão e para gato.

Por que a idade em semanas importa tanto?

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Filhote mama anticorpo no leite da mãe nos primeiros dias. Esse anticorpo protege por algumas semanas, mas ele também atrapalha: enquanto está alto no sangue do filhote, ele "neutraliza" a vacina antes que o corpo aprenda a se defender sozinho.

É por isso que a primeira dose não é a única. O protocolo usa várias doses seguidas justamente para pegar o momento em que o anticorpo da mãe já caiu e o corpo do filhote consegue responder. Pular uma dose ou atrasar muito quebra essa lógica.

Regra prática: conte a idade em semanas, não em meses. "Dois meses e pouco" não serve. Escreva a data de nascimento (ou a estimada) num papel e leve.

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Quais vacinas o filhote de cachorro precisa tomar?

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São duas famílias principais no Brasil:

Polivalente (a "V8" ou "V10") — protege contra cinolose (a popular "cinomose"), parvovirose, hepatite infecciosa, adenovírus, parainfluenza e leptospirose. A diferença entre V8 e V10 costuma ser o número de tipos de leptospirose incluídos. Quem mora em área com enchente, esgoto a céu aberto ou muito rato tem motivo extra para conversar sobre a de maior cobertura.

Antirrábica — contra a raiva. É obrigatória por lei em boa parte do país e é a única doença dessa lista que passa para pessoas e mata.

Fora dessas, o veterinário pode indicar de acordo com a rotina do animal: gripe canina (tosse dos canis) para cão que frequenta hotel, creche ou pet shop com banho coletivo; giárdia e leishmaniose em regiões específicas. Não são para todo mundo.

E o filhote de gato, quais vacinas precisa?

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Também duas famílias:

Polivalente felina (a "V3", "V4" ou "V5") — protege contra panleucopenia, rinotraqueíte e calicivirose. As versões maiores acrescentam clamidiose e, em alguns produtos, leucemia felina.

Antirrábica — mesma lógica do cão.

Um detalhe que muita gente perde: a vacina de leucemia felina (FeLV) costuma pedir teste de sangue antes. Gato que já está infectado não se beneficia dela. Se o seu gato saiu da rua, foi resgatado ou tem acesso ao quintal, pergunte sobre o teste na mesma consulta — evita voltar outro dia.

Tabela: o calendário por idade, em semanas

IdadeCãoGato
2 a 4 semanas1ª vermifugação1ª vermifugação
6 a 8 semanas1ª polivalente1ª polivalente felina
9 a 12 semanas2ª polivalente2ª polivalente felina
12 a 16 semanas3ª polivalente + antirrábica3ª polivalente + antirrábica
12 mesesreforço anualreforço anual

O intervalo entre uma dose e a seguinte fica normalmente entre 21 e 30 dias. A última dose da série costuma ser dada com 16 semanas ou mais, porque é a idade em que o anticorpo da mãe já caiu na maioria dos filhotes.

Se o seu animal está fora dessa tabela, não entre em pânico. Adulto que nunca vacinou normalmente faz uma série menor (duas doses de polivalente com intervalo de 21 a 30 dias, mais a antirrábica) e depois entra no reforço anual. Quem define isso é o veterinário que examina o bicho.

O que conferir antes de deixar o animal tomar a dose

Passe por esta lista antes da agulha:

1. Está comendo e bebendo normal nas últimas 24 horas? Filhote que recusou comida ontem não é bom candidato.

2. Está sem diarreia e sem vômito? Vacinar em cima de uma infecção intestinal atrapalha os dois lados.

3. Tomou vermífugo? Verme em quantidade consome o animal e deixa a resposta à vacina mais fraca. O ideal é vermifugar alguns dias antes.

4. A temperatura está normal? O veterinário mede na hora. Febre cancela a dose do dia.

5. A carteirinha da dose anterior está completa? Precisa ter data, nome da vacina, número do lote (a etiqueta costuma vir colada) e assinatura com CRMV. Carteirinha sem lote é um problema real na hora de viajar, matricular em creche ou provar vacinação.

Vermífugo: por que a vacina sozinha não basta

Vacina não protege contra verme. São coisas diferentes e as duas precisam entrar na rotina.

A vermifugação de filhote costuma começar cedo — por volta de duas a quatro semanas de vida — e se repete a cada 15 dias até o desmame, depois espaça. Filhote nasce com verme com frequência, herdado da mãe, então o "ele nunca saiu de casa" não isenta ninguém.

Em adulto, a frequência depende do estilo de vida: animal que vive só dentro de apartamento, que não come cru e não caça precisa menos que o cão que anda em praça e o gato que caça lagartixa no quintal. Peça ao veterinário para definir o intervalo do seu caso, e anote na mesma carteirinha da vacina. Duas listas separadas é receita para esquecer uma delas.

Quando o reforço anual é mesmo necessário?

Existe hoje discussão técnica sobre reforçar tudo todo ano ou espaçar algumas doses. Duas coisas são consenso prático para quem cuida em casa:

Para o resto, converse com o veterinário sobre o histórico do seu animal em vez de seguir uma regra genérica de internet. Não existe protocolo que sirva igual para o vira-lata de sítio e para o gato que vive no décimo andar.

6 sinais de que é caso de procurar veterinário hoje

Reação leve depois da vacina existe: sonolência no mesmo dia, um calombo pequeno no local da picada que some em alguns dias, apetite meio fraco em uma refeição. Isso não costuma ser emergência.

Procure atendimento no mesmo dia se aparecer:

1. Inchaço no focinho, nas pálpebras ou orelhas, especialmente nas primeiras horas

2. Vômito repetido ou diarreia com sangue

3. Dificuldade de respirar, chiado ou língua arroxeada

4. Coceira intensa com vergões pelo corpo

5. Prostração que passa de 24 horas, com o animal sem se levantar

6. Febre alta, tremor ou convulsão

E, fora do contexto de vacina: filhote com diarreia líquida e vômito por mais de meio dia é urgência, porque desidrata rápido. Não espere o dia seguinte.

Este texto é informação geral para organizar sua rotina. Quem examina, diagnostica e decide o protocolo do seu animal é o médico veterinário, com o bicho na frente.

Como montar o controle em casa, sem aplicativo

Uma folha na porta da geladeira resolve. Três colunas: data, o que foi feito (vacina, qual, ou vermífugo) e próxima data. Toda vez que voltar da clínica, preencha a linha antes de guardar a carteirinha. Tire também uma foto da carteirinha aberta e guarde no celular — carteirinha molhada ou perdida acontece, e a foto salva.

Se tiver mais de um animal, uma folha por bicho. Misturar datas de dois cães na mesma lista é como a maioria dos atrasos começa.

Seu próximo passo

Pegue a carteirinha agora e procure a data da última dose. Se ela tem mais de 12 meses, ligue hoje para a clínica e agende. Se ela está sem lote ou sem assinatura, avise na ligação — dá para pedir a correção no arquivo da clínica.

Se você não tem carteirinha nenhuma, marque uma consulta de avaliação, não só "uma vacina". O veterinário precisa pesar, examinar e decidir por onde começar a série antes de aplicar qualquer coisa.

Perguntas frequentes

Posso atrasar uma dose da vacina do filhote?

Atraso curto costuma ser contornável, mas o intervalo entre doses tem razão de ser: cada dose é dada quando o anticorpo herdado da mãe já caiu um pouco. Se passou muito tempo, ligue para a clínica antes de aparecer. Em alguns casos o veterinário recomeça a série em vez de continuar de onde parou.

Gato que nunca sai de casa precisa de vacina?

Precisa. Vírus como o da panleucopenia entram em casa no sapato, na roupa e na mão de visita. Além disso, a antirrábica é exigida por lei em boa parte do país e em qualquer viagem, mudança ou internação. Converse com o veterinário sobre quais doses fazem sentido no seu caso.

Vacina substitui o vermífugo?

Não. São coisas diferentes: a vacina ensina o corpo a se defender de vírus e bactérias, e o vermífugo elimina parasitas do intestino. Filhote costuma começar a vermifugação nas primeiras semanas de vida e repetir em intervalos curtos. Anote as duas coisas na mesma carteirinha para não esquecer nenhuma.

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