Saúde Preventiva PetAtualizado em 2026-10-309 min de leitura

Vacina da leishmaniose em cães: idade, doses e proteção

Camila Ferreira
Camila Ferreira escreve sobre comportamento animal e cuidados preventivos pet há 12 anos. Tutora de Mel, Bisteca e Tom…
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Veja a partir de que idade o cão pode tomar a vacina contra leishmaniose, quantas doses são, por que o exame vem antes…
Resposta rapida: A vacina contra leishmaniose é indicada para cães saudáveis a partir de 4 meses, com exame negativo, que vivem ou viajam para regiões com mosquito-palha. São 3 doses com 21 dias de intervalo e reforço anual. Ela reduz o risco, mas não substitui a coleira repelente.↗ Compartilhar no X

A vacina contra leishmaniose é indicada para cães saudáveis, a partir de 4 meses de idade, que tenham exame negativo para a doença e que vivam ou passem temporadas em regiões onde o mosquito-palha circula. Ela funciona apresentando ao sistema de defesa do cão um pedaço inofensivo do parasita, para que o corpo aprenda a reagir antes de encontrar o parasita de verdade. O esquema é de 3 doses com intervalo de 21 dias e reforço uma vez por ano. A vacina reduz muito o risco de o cão adoecer, mas não trabalha sozinha: coleira repelente e cuidados com o ambiente continuam obrigatórios.

O que é a leishmaniose e por que ela preocupa tanto?

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A leishmaniose visceral canina é uma doença causada por um parasita microscópico chamado Leishmania. Ele não passa de um cão para outro pelo contato direto. Quem transporta o parasita é um inseto bem pequeno, o mosquito-palha (também chamado de birigui ou tatuquira). Ele pica um cão doente, carrega o parasita e, ao picar outro cão, transmite a doença.

O problema é que o parasita ataca órgãos internos: baço, fígado, medula óssea e rins. Os sinais aparecem devagar, muitas vezes meses depois da picada. Os mais comuns são:

Além de ser grave para o cão, a leishmaniose é uma zoonose, ou seja, uma doença que também atinge pessoas. Por isso, em muitas cidades brasileiras ela é tratada como questão de saúde pública, com regras próprias sobre exames e notificação. Prevenir no cão é proteger a família inteira.

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Qual vacina existe hoje no Brasil?

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Hoje, a única vacina contra leishmaniose canina com registro ativo no Brasil é a Leish-Tec, do laboratório Ceva. Ela usa uma proteína do parasita produzida em laboratório, chamada A2. O cão não recebe o parasita vivo nem morto, apenas essa proteína, que não causa a doença.

Uma vacina mais antiga, a Leishmune, teve o registro suspenso pelo Ministério da Agricultura em 2014 e não é mais vendida. Se alguém oferecer essa vacina, desconfie.

Um detalhe importante: a Leish-Tec foi desenvolvida para não confundir os exames de sangue usados pelos órgãos de saúde para detectar a doença. Isso evita que um cão vacinado seja tomado por um cão doente nos testes de rotina. Mesmo assim, guarde sempre a carteirinha de vacinação com o lote e a data, para apresentar em qualquer fiscalização.

A partir de que idade o cão pode ser vacinado?

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A vacina pode ser aplicada a partir de 4 meses de idade. Antes disso, o sistema de defesa do filhote ainda está amadurecendo e a resposta à vacina não é confiável.

Não existe idade máxima. Um cão adulto ou idoso pode começar o esquema, desde que esteja saudável e com exame negativo. Se ele também estiver tomando V10 ou antirrábica, o veterinário organiza o calendário para não juntar tudo no mesmo dia.

Por que o exame vem antes da vacina?

Essa é a parte que mais surpreende os tutores. Antes da primeira dose, o veterinário faz um exame de sangue para saber se o cão já tem o parasita. Em geral é um teste rápido, feito na própria clínica, com resultado em cerca de 20 minutos. Em alguns casos, pede-se um exame de laboratório para confirmar.

O motivo é simples: a vacina serve para prevenir, não para tratar. Se o cão já está infectado, vacinar não ajuda e pode até atrasar o diagnóstico correto. Um cão positivo precisa de acompanhamento e tratamento específicos, nunca de vacina.

Fique atento a quatro situações em que o exame costuma dar problema:

1. Cão que chegou há pouco tempo de uma região com muitos casos. Pode estar infectado, mas ainda sem sinais.

2. Cão adotado sem histórico. Vale repetir o exame depois de alguns meses, mesmo que o primeiro dê negativo.

3. Cão que já teve febre, emagrecimento ou feridas sem causa conhecida.

4. Cão que vive com outro animal já diagnosticado.

Em qualquer uma delas, converse com o veterinário sobre repetir o teste antes de fechar o diagnóstico.

Como é o esquema de doses?

O protocolo é padronizado pelo fabricante e seguido em todo o país.

EtapaQuandoO que acontece
ExameAntes de tudoTeste de sangue para confirmar que o cão é negativo
1ª doseDia zeroPrimeira aplicação, com o cão saudável e vermifugado
2ª dose21 dias depois da 1ªReforça a resposta do organismo
3ª dose21 dias depois da 2ªFecha o esquema inicial
Proteção esperadaCerca de 3 semanas após a 3ª doseSó então o cão é considerado protegido
Reforço1 dose por anoMantém a proteção ativa

Repare na linha da proteção esperada. Durante as 3 doses, o cão ainda não está protegido. Nesse período, a coleira repelente e os cuidados com o horário de passeio fazem toda a diferença.

Se você atrasar uma dose em alguns dias, geralmente dá para continuar o esquema sem recomeçar. Se o atraso for de muitas semanas, o veterinário pode pedir para reiniciar. Não decida isso sozinho: pergunte na clínica.

A vacina protege 100%?

Não. Nenhuma vacina, para cães ou pessoas, protege totalmente. A vacina contra leishmaniose diminui bastante a chance de o cão desenvolver a doença e, quando ela acontece mesmo assim, costuma ser mais branda. Mas um cão vacinado que leva muitas picadas em uma área com muitos casos ainda pode se infectar.

Por isso, pense na vacina como uma camada de proteção, e não como a única proteção. Ela funciona bem quando está acompanhada das outras medidas que veremos a seguir.

O que a vacina não faz: a coleira e o ambiente

A forma mais direta de evitar a leishmaniose é impedir que o mosquito-palha pique o cão. A vacina não faz isso. Quem faz é o repelente.

Veja as medidas que devem andar junto com a vacina:

1. Coleira repelente com deltametrina ou flumetrina. É a medida mais importante depois da vacina. Conforme a marca, a proteção dura entre 4 e 8 meses. Anote a data de troca na carteirinha do cão.

2. Passeios fora do horário do mosquito. O mosquito-palha é mais ativo do fim da tarde até o começo da noite e de madrugada. Em regiões com casos, evite deixar o cão no quintal nesses horários.

3. Cão dormindo dentro de casa. Quarto fechado ou com tela nas janelas reduz muito as picadas.

4. Quintal limpo. O mosquito-palha se reproduz em matéria orgânica úmida: folhas acumuladas, frutas caídas, fezes de animais, restos de poda. Recolha isso toda semana.

5. Telas em canis e janelas. O mosquito é pequeno, então a tela precisa ter malha fina.

Quem mora em cidade com casos registrados deve fazer todas as cinco. Quem mora em região sem casos pode conversar com o veterinário sobre o que faz sentido, principalmente se viajar com o cão para o interior ou para o litoral.

Quanto custa e onde aplicar?

O preço varia bastante de cidade para cidade e de clínica para clínica. O que você precisa saber para não ser pego de surpresa: o custo total do primeiro ano inclui o exame, as 3 doses e, em alguns lugares, a taxa de aplicação. Peça o valor fechado do esquema completo antes de começar, e não só o preço de uma dose.

A vacina não é oferecida pela rede pública para cães. Ela só é aplicada em clínicas veterinárias particulares. Desconfie de vacina vendida pela internet para aplicar em casa: ela precisa ficar refrigerada o tempo todo e ser aplicada por um profissional.

Quais são as reações possíveis?

A maioria dos cães não apresenta nada ou apresenta reações leves que passam em 1 ou 2 dias:

Procure o veterinário no mesmo dia se o cão apresentar inchaço no rosto, vômito repetido, dificuldade para respirar ou se o caroço no local da aplicação crescer ou não desaparecer em uma semana. Essas reações são raras, mas precisam de avaliação.

Em que casos a vacina não é indicada?

O veterinário vai adiar ou não recomendar a vacina quando o cão:

Em todas essas situações a palavra final é do veterinário.

Próximo passo: o que fazer esta semana

Se o seu cão ainda não é vacinado, faça o seguinte, nesta ordem:

1. Ligue para a clínica e pergunte se ela tem a vacina em estoque e qual é o valor do esquema completo com exame.

2. Marque a consulta levando a carteirinha de vacinação e o vermífugo em dia. Se o cão não estiver vermifugado, faça isso uma semana antes.

3. No dia da consulta, peça o teste rápido. Se der negativo, aplique a primeira dose e já anote na agenda do celular as datas da segunda e da terceira, com 21 dias de intervalo.

4. Compre e coloque a coleira repelente no mesmo dia. O cão só estará protegido pela vacina algumas semanas depois da terceira dose, e a coleira cobre esse intervalo.

Se o teste der positivo, não se desespere. A leishmaniose tem tratamento e acompanhamento, e um veterinário que conheça a doença vai orientar o caminho. O importante é não deixar a dúvida parada.

Perguntas frequentes

Com que idade o cão pode tomar a vacina contra leishmaniose?

A partir de 4 meses de idade, desde que esteja saudável, vermifugado e com exame de sangue negativo para a doença. Não há idade máxima para começar o esquema.

Quantas doses são e de quanto em quanto tempo?

São 3 doses com intervalo de 21 dias entre elas. Depois, um reforço por ano. O cão só é considerado protegido cerca de 3 semanas após a terceira dose.

Cão vacinado ainda precisa de coleira repelente?

Sim. A vacina não impede a picada do mosquito-palha e não protege 100%. A coleira repelente com deltametrina ou flumetrina continua sendo necessária, junto com cuidados no quintal e no horário dos passeios.

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