Cão e gato medroso na mesma casa: rotina que acalma os dois

Resposta rapida: Separe o espaço do gato do caminho do cão, dê ao gato rotas altas de fuga e treine o cão a ficar calmo perto dele com petiscos e guia. Faça apresentações curtas, todos os dias, sempre terminando antes de qualquer sinal de medo. Se o gato parar de comer, urinar fora da caixa ou se machucar, procure o veterinário.↗ Compartilhar no X
Para um cão e um gato medroso viverem bem na mesma casa, o gato precisa de um lugar só dele que o cão não alcança, caminhos pelo alto para fugir e uma rotina previsível. O cão, por sua vez, precisa aprender que ficar calmo perto do gato vale petisco. Com isso, e com encontros curtos todos os dias, a maioria dos gatos medrosos passa a circular pela casa sem pânico. Se o gato parar de comer, fizer xixi fora da caixa ou se ferir, leve ao veterinário antes de continuar.
O erro mais comum é achar que "eles se acertam sozinhos". Às vezes se acertam. Mas, com um gato medroso, deixar acontecer quase sempre termina com o gato morando embaixo da cama.
Como saber se o seu gato está com medo (e não só "na dele")?
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Gato roendo a pata ou o rabo: 5 causas e o que fazer →Gato com medo nem sempre bufa. Muitas vezes ele só some. Fique de olho nestes sinais:
- passa o dia escondido e só sai à noite;
- come menos ou só come quando o cachorro está dormindo;
- faz xixi ou cocô fora da caixa;
- orelhas viradas para o lado ou para trás quando o cão aparece;
- corpo agachado, rabo enrolado junto ao corpo;
- pupila muito aberta mesmo com a casa iluminada;
- se lambe demais, a ponto de abrir falhas no pelo.
Do lado do cão, observe se ele fica parado encarando o gato, se corre atrás dele, se late para o esconderijo ou se fica fungando na porta do quarto onde o gato está. Cachorro que persegue não é necessariamente malvado. Muitas vezes é só curiosidade ou vontade de brincar. Mas, para o gato, ser perseguido é sempre assustador.
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Passo 1: monte a "base segura" do gato
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O gato medroso precisa de um território onde o cão nunca entra. Pode ser um quarto, a área de serviço ou até um banheiro grande. Nesse espaço, coloque:
1. Comida e água longe da caixa de areia.
2. Caixa de areia num canto tranquilo, de onde ele veja a porta.
3. Esconderijo fechado, como uma caixa de papelão deitada com uma manta dentro.
4. Lugar alto, como uma prateleira firme, um armário baixo ou um arranhador com plataforma.
5. Um item com o seu cheiro, como uma camiseta usada.
Para impedir a passagem do cão, use um portãozinho de bebê com uma abertura por onde só o gato passa, ou eleve o portão alguns centímetros do chão se o cão for grande. Outra opção é instalar a portinha de gato na porta do quarto.
Regra de ouro: ninguém tira o gato da base segura à força. Ele sai quando quiser. É isso que devolve a ele a sensação de controle.
Passo 2: crie rotas pelo alto pela casa
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Como identificar o estresse em cães ao cortar as unhas →Gato se sente seguro quando consegue olhar o perigo de cima. Pense na casa como uma estrada para o gato atravessar sem pisar no chão. Algumas ideias baratas:
- prateleiras firmes em sequência na parede da sala;
- encosto do sofá liberado e uma cadeira encostada perto da janela;
- topo da geladeira ou de um armário, com um tapetinho antideslizante;
- arranhador alto perto de onde a família fica à noite.
Garanta pelo menos duas saídas em cada cômodo que o gato usa. Um gato encurralado num canto, com o cão bloqueando a única porta, aprende rapidamente que aquele cômodo é perigoso.
Passo 3: organize os horários dos dois
Rotina é remédio para bicho ansioso. Quando tudo acontece sempre na mesma hora, o gato sabe quando é seguro sair.
| Horário | Cão | Gato |
|---|---|---|
| Manhã cedo | Passeio longo, gasta energia | Café da manhã na base segura |
| Meio da manhã | Descanso com brinquedo de roer | Liberado para circular pela casa |
| Fim da tarde | Treino de 5 minutos com o gato à vista | Brincadeira com varinha antes do encontro |
| Noite | Passeio curto e cama dele | Jantar e tempo livre pelo alto |
Por que o passeio vem antes? Cão cansado fica muito mais calmo. Cão cheio de energia vê no gato um brinquedo que corre.
Dê a comida dos dois em lugares separados e longe da vista um do outro. Muitos cães comem a ração do gato, e muitos gatos deixam de comer só por estarem perto do cão.
Passo 4: treine o cão a ficar calmo perto do gato
Aqui está o coração do trabalho. O objetivo não é obrigar o gato a gostar do cão. É ensinar o cão a ignorar o gato. Quando o cão deixa de perseguir, o gato perde o motivo do medo.
Você vai precisar de guia, peitoral e petiscos pequenos e gostosos, como pedacinhos de frango cozido sem tempero.
1. Ensine o "olha pra mim" sem o gato por perto. Fale o nome do cão; quando ele olhar para você, dê o petisco. Repita até ele acertar quase sempre.
2. Coloque o cão na guia, longe do gato. Comece numa distância em que o cão vê o gato mas ainda consegue comer e obedecer. Se ele não aceita petisco, está perto demais.
3. Gato aparece, petisco cai. Toda vez que o cão olhar para o gato e depois voltar a olhar para você, recompense. Ele aprende: "ver o gato e ficar calmo me rende frango".
4. Sessões curtas. De 3 a 5 minutos, uma ou duas vezes por dia. Termine sempre com os dois tranquilos.
5. Aproxime aos poucos. Só diminua a distância quando o cão estiver relaxado por vários dias seguidos naquela distância.
6. Nada de castigo. Gritar ou dar puxão na guia quando o cão olha para o gato ensina que o gato traz coisa ruim. Isso piora o problema.
Se o cão tem histórico de machucar gatos ou outros animais pequenos, não faça isso sozinho. Procure um adestrador que trabalhe com reforço positivo ou um veterinário comportamentalista.
Passo 5: deixe o gato decidir o ritmo dos encontros
Enquanto o cão treina, o gato também precisa ganhar coisas boas quando o cão aparece. Durante as sessões:
- deixe o gato num lugar alto, de onde ele observa;
- ofereça a ele um petisco que ele adora, ou sachê, só durante os encontros;
- nunca pegue o gato no colo para "apresentar" ao cão;
- se ele sair andando, deixe ir. Sair é sinal de que ele confia que pode sair.
Uma boa ideia é trocar os cheiros antes mesmo dos encontros. Passe um pano macio nas bochechas do gato e deixe perto da cama do cão, e vice-versa. Cheiro conhecido assusta menos.
Que sinais mostram que está dando certo?
O progresso costuma aparecer em pequenas mudanças:
- o gato sai da base segura de dia, não só de noite;
- ele passa pela sala mesmo com o cão deitado ali;
- o cão olha para o gato e volta a olhar para você sem você pedir;
- o gato come com apetite normal;
- a caixa de areia volta a ser usada direitinho.
Anote numa folha, toda semana, o que mudou. Em fase difícil, ver o caminho já andado ajuda a não desistir.
Quando parar e procurar ajuda profissional?
Medo prolongado mexe com a saúde do gato. Procure o veterinário se:
- o gato ficar mais de um dia sem comer (gato que não come pode ter problema sério de fígado);
- ele urinar fora da caixa com frequência, ou fizer força para urinar e sair pouco;
- aparecerem feridas, mordidas ou falhas grandes no pelo;
- o cão avançar com intenção de morder, e não só de cheirar;
- depois de semanas de treino não houver nenhuma melhora.
O veterinário pode descartar dor ou doença, que às vezes deixam o gato mais assustado do que ele seria. Ele também pode indicar um comportamentalista ou avaliar se algum produto calmante faz sentido para o seu caso. Nunca dê remédio por conta própria: vários remédios humanos e de cachorro são venenosos para gatos.
Quais erros fazem o gato regredir?
- Forçar o encontro segurando o gato perto do cão.
- Deixar o cão "brincar" de correr atrás do gato, mesmo que pareça inofensivo.
- Tirar a base segura cedo demais, achando que o problema acabou.
- Mudar a rotina toda de uma vez, como trocar móveis de lugar e receber visitas na mesma semana.
- Desistir do treino do cão quando ele parece melhor. O hábito precisa de reforço por meses.
Seu próximo passo, ainda hoje
Escolha agora o cômodo que vai ser a base segura do gato e coloque nele comida, água, caixa de areia, esconderijo e um lugar alto. Amanhã cedo, leve o cão para um passeio longo e faça a primeira sessão de "olha pra mim" sem o gato por perto, com cinco minutos de duração. Anote o que viu. Em uma semana, você já terá uma ideia clara de onde cada um dos dois está, e de qual passo vem a seguir.
Perguntas frequentes
Quanto tempo leva para um gato medroso aceitar o cachorro?
Varia muito. Alguns gatos relaxam em poucas semanas; outros levam meses. O que conta é o progresso: se a cada semana o gato fica um pouco mais perto e um pouco mais solto, o caminho está certo. Pular etapas costuma fazer voltar ao começo.
Posso deixar os dois sozinhos em casa?
Só quando você já viu, várias vezes, os dois passarem pelo mesmo cômodo sem perseguição e sem o gato fugir correndo. Até lá, feche a porta do quarto do gato quando sair. É mais seguro para os dois.
Remédio ou calmante resolve o medo do gato?
Existem produtos e remédios que ajudam alguns gatos, mas só o veterinário pode indicar, depois de examinar o animal. Nunca dê calmante de gente ou de cachorro ao gato: vários são tóxicos para ele.
